Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

*****

O amor é ajudado pela força. A doçura do perdão traz a esperança e a paz.

*****

A beleza é, no meu entender, uma onipresença da morte e do encanto, uma risonha melancolia que discernimos em todas as coisas da Natureza e da existência, essa comunhão mística que sente o poeta... algo assim como o raio de sol dourado e poeira que esvoaça, ou como uma rosa  caída na sarjeta.

*****

O silêncio - algo que não pode se comprado - quantos de nós saberíamos defrontá-lo? Os ricos compram o barulho. No entanto, nosso espírito se realiza quando estamos mergulhados no silêncio natural - esse silêncio que jamais recusa aqueles que o procuram.

*****

Não posso crer que nossa existência não tenha sentido, que seja mero acidente, como nos querem convencer os cientistas. A vida e a morte são determinadas demais, por demais implacáveis, para que sejam puramente acidentais.

*****

À medida que vou envelhecendo, mais me preocupa a questão da fé. Ela está em nossa vida bem mais do que supomos e inspira as nossas ações bem mais do que imaginamos. Creio que a fé é precursora de todas as nossas ideias. Sem fé não teríamos criado hipóteses, teorias, ciência ou matemática. Penso que a fé é uma extensão do espírito. É a chave que abre a porta do impossível. Negar a fé é refutar a si mesmo e ao espírito que gera todas as nossas forças criadoras.

*****

Minha fé é no desconhecido, em tudo o que não podemos compreender por meio da razão; creio que o que está acima do nosso entendimento é apenas um fato em outras dimensões e que no reino do desconhecido há uma infinita reserva de poder.

*****

Afirmou Schopenhauer que a felicidade é uma condição negativa. Discordo. Nos últimos vinte anos, conheci o que significa felicidade. Tenho a boa fortuna de estar casado com uma criatura maravilhosa. Bem quisera escrever mais sobre isto, porém é de amor que se trata, e o perfeito amor é a mais bela das frustrações, pois está acima do que se pode exprimir.

*****

Reconheço que o tempo e as circunstâncias me têm favorecido. O mundo cumulou-me de afeições, inspirei amor e também o ódio. Deu-me a vida o que havia de melhor e um pouco do pior. Quaisquer que tenham sido as minhas vicissitudes, creio que a ventura e desventura são filhas do acaso, pairando como nuvens sobre o nosso destino. Com essa compreensão, nunca me abalam demais as coisas ruins que me acontecem, ou quando fico agradavelmente surpreendido pelo que vem de bom. Não sigo um roteiro de existência, nenhuma filosofia... Sábios ou tolos, temos todos de batalhar com a vida. Oscilo em meio a contradições: exasperam-me às vezes fatos mínimos, e catástrofes poderão deixar-me indiferente. Contudo, a minha vida é hoje mais apaixonante do que nunca.

 
     
 
 

 
 

Extraído do livro Chaplin - Vida e Pensamentos - Editora Martin Claret

 
 

Todos os Direitos Reservados

 
 
     
 

 

 

 
 

16/08/2010