E lá se foi mais um dia ...

Cada vez mais perdida, tento  apoiar-me

 nos resquícios de esperança que carrego

dentro de mim.

Um vazio enorme clama por um pouco de

carinho, de afeto e de respeito.

Com atenção e tensão, escuto e tento entender,

como se estivesse num confessionário, tantas

reclamações e insatisfações iguais as minhas.

Questiono o motivo de tudo isso e me angustio.

Estendo a mão mas de nada adianta;

sinto-me uma estátua.

Outras vezes, acho que sirvo apenas de

pouso ou de  estalagem onde viajantes

passam, buscam água, alimento e descanso,

   se fortalecem e se vão.

O que deixaram para trás se transforma

apenas em lembrança.

Penso na dificuldade maior; não a de me

doar mas a de receber ou trocar experiências.

Todos querem alguma coisa mas poucos

entendem e têm condições de assimilar

o que lhes é oferecido.

Não  falo da retribuição, mas  da troca.

Um sorriso, um carinho, uma

atenção, um bilhetinho...gestos tão simples,  

às vezes são tão mal interpretados e usados.

Falta pureza e sinceridade nos atos das pessoas.

Muitos querem preencher seu vazio,

a todo custo, sem se darem conta de

que é necessário plantar para colher.

A terra mal trabalhada nos dá poucos frutos

 mas pode ser  abundante em sementes.

Busquemos essas semeaduras dentro

de nós primeiro.

A colheita será conseqüência desses momentos.

Nós podemos e devemos.

 

 

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Com autorização da Autora - 06/10/2000

Atualizado em 26/07/2010