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Eu sinto medo de ti.

Medo das barreiras que me impões, sem palavras

e que meu coração interpreta angustiado,

nas entrelinhas do que não dizes.

Eu sinto medo de ti.

Tua doçura é névoa tênue e traiçoeira

a esconder muralha férrea, contra a qual me choco

tantas vezes, entre perplexa e aparvalhada.

Eu sinto medo de ti.

Porque és todo razão, auto-controle e frieza,

jamais te soltas e te desmanchas em paixão

e às vezes és de uma dureza

à prova de qualquer compaixão.

Eu sinto medo de ti.

Porque és capaz de desnudar-me de todas  as camadas,

deixando-me quase em carne viva,

enquanto não perdes sequer um pelo, a pele ou o vício

de lobo predador, velho de guerra,

conhecedor da minha alma e da alma de tantas

mulheres.

Eu sinto medo de ti.

Porque sonegas respostas às perguntas cruciais,

me tens nas mãos feito marionete,

me confundes e me desmontas sem nenhuma culpa,

como se as minhas dores fossem banais.

Eu sinto medo do amor que me despertas,

tão grande e visceral.

Sinto medo da amplidão de todas as minhas

expectativas.

Sinto medo da mágoa, que intensa,

caminha paralela ao meu amor.

Dos extremos, da luz e da escuridão, do céu e do inferno,

dos tantos altos e baixos que permeiam cada capítulo

e cada cena do nosso roteiro.

Ah! Homem amado e faceiro, pedaço de mal caminho,

ladrão de corações, tinhoso e traiçoeiro!

Tens o condão de fazer-se amar !

Um dia ainda curo-me de ti e vou te deixar...

E ao conseguir tal feito, presto aqui um juramento:

hei de deixar escrito um manual ou cartilha,

para que outras não caiam na tua armadilha.

 

 

Do livro Momentos Catárticos

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30/04/2003