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Eu te peço perdão por te amar de repente.
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das
horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo
em tua boca o perfume dos sorrisos
Das
noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso
te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das  [promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É
um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E
te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes
que as mãos cálidas da noite encontrem sem   [fatalidade o olhar extático da aurora.                  

 

 

 

Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e   prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.

 

 

Atualizada em 08/07/2010

 

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