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Foi um dia de kremesse.

Depois de rezá três prece

Pra que os santo me ajudasse,

Deus quis que nós se encontrasse

Pra que nós dois se queresse,

Pra que nós dois se gostasse.

Inté os sinos dizia

Na matriz da freguezia

Que embora o tempo corresse,

Que embora o tempo passasse,

Que nós sempre se queresse,

Que nós sempre se gostasse.

Um dia, na feira, eu disse

Com a voz cheia de meiguice

Nos teus ouvido, bem doce:

Rosinha si eu te falasse...

Si eu te beijasse na face...

Tu me dás-se um beijo? — Dou-se.

E toda a vez que nos vemo,

A um só tempo perguntemo

Tu a mim, eu a vancê:

Quando é que nós se casemo,

Nós que tanto se queremo,

Pro que esperamos pro quê?

Vancê não falou comigo

E eu com vancê, pro castigo,

Deixei de falá também,

Mas, no decorrê dos dia,

Vancê mais bem me queria

E eu mais te queria bem.

— Cabôco, vancê não presta,

Vancê tem ruga na testa,

Veneno no coração.

— Rosinha, vancê me xinga,

Morde a surucucutinga,

Mas fica o rasto no chão.

E de uma vez, (bem me lembro!)

Resto de safra... Dezembro...

Os carro afundando o chão.

Veio um home da cidade

E ao curuné Zé Trindade

Foi pedi a sua mão.

Peguei no meu cravinote

Dei quatro ou cinco pinote

Burricido como o quê,

Jurgando, antes não jurgasse,

Que tu de mim não gostasse,

Quando eu só amo a vancê.

Esperei outra kremesse

Que o seu vigário viesse

Pra que nós dois se casasse.

Mas Deus não quis que assim sesse

Pro mais que nós se queresse

Pro mais que nós se gostasse.

 

 

Todos os Direitos Reservados

 

NOTA: Olegário Mariano foi aluno do poeta Alberto de Oliveira, Príncipe dos Poetas Brasileiros e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Depois do falecimento de Alberto de Oliveira, Olegário Mariano o substituiu na ABL, ganhando também, por unânimidade, o mesmo título de Príncipe dos Poetas Brasileiros

 

 

Atualizada em 11/07/2010