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Breve momento, após comprido dia

de incômodos, de penas, de cansaço,

inda o corpo a sentir quebrado e lasso,

posso a ti me entregar, doce Poesia.

Desta janela aberta a luz tardia

do luar em cheio a clarear no espaço,

vejo-te vir, ouço-te o leve passo

na transparência azul da noite fria.

Chegas. O ósculo teu me vivifica.

Mas é tão tarde! Rápido flutuas,

tornando logo a etérea imensidade;

e na mesa a que escrevo apenas fica

sobre o papel - rastro das asas tuas - 

um verso, um pensamento, uma saudade.

 

 

Poeta brasileiro - 1859/ 1937

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Atualizada em 11/07/2010